Jovens Produtores

Capacitação na Produção de Alimentos Orgânicos

Introdução

A promoção das ações necessárias para a manutenção de um ambiente saudável e sustentável para presentes e futuras gerações requer um esforço urgente de toda a sociedade. A presente proposta será desenvolvida no município de Silva Jardim, área de incidência endêmica da espécie mico-leão-dourado e conhecida por abrigar a Reserva Biológica Poço das Antas e a Área de Proteção Ambiental do Rio São João. Com natural vocação para a sustentabilidade, preservação e ecoturismo sustentáveis, além é claro, de ser detentora dos subsídios naturais para a agricultura orgânica e responsável.

O projeto prioriza os jovens, por meio de uma formação que proporcionará a capacitação na produção de alimentos orgânicos. A metodologia do curso se concretizará mediante a interação direta com agricultores experientes, para que as vivências, formas de cultivo e saberes específicos sejam propagados e repassados para os alunos.  Compreende-se que a partir de um olhar abrangente sobre a proteção do meio ambiente e as formas de produção e consumo consciente se concretizará a valorização da produção orgânica, como fonte de renda e negócio, mas, sobretudo, como alicerce de uma lógica mais sustentável de desenvolvimento local.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apontam caminhos possíveis e a necessidade de uma articulação em torno de temas específicos e ações concretas de maneira que as pessoas se sintam parte da elaboração de propostas e, ao mesmo tempo, reconheçam novas possibilidades de interação mais harmoniosa entre seres humanos e natureza. Desta maneira, o investimento na educação de jovens para valorização da produção orgânica é uma peça fundamental na constituição de soluções focadas na sustentabilidade, bem como para a resiliência comunitária e a segurança humana.

Impacto que o projeto vai gerar

O município de Silva Jardim com incentivo à produção de orgânicos e ao desenvolvimento e capacitação de jovens agricultores. O incentivo à cultura de produção de alimentos saudáveis e geração de renda, por meio da divulgação de saberes locais sobre práticas de agricultura sustentável.

Pilares norteadores

Por compreender a necessidade da produção e do consumo responsável, bem como o empoderamento dos jovens por meio do incentivo ao crescimento econômico, o presente projeto se conecta diretamente com os conceitos estabelecidos pelas Nações Unidas. Entre eles, as metas e objetivos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da agenda 2030 e as esferas da Segurança Humana (PNUD-ONU 1994). Estes, nos guiam como pilares epistemológicos. Portanto, ressaltamos que o projeto engloba em si, as dimensões social, ambiental e econômica. Na sequência, apresentamos os ODS a serem trabalhadas no projeto, assim como os níveis de segurança humana a serem salvaguardados.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (Agenda 2030)

ODS 2. Fome Zero e Agricultura Sustentável

Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável

2.3 Até 2030, dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos, particularmente das mulheres, povos indígenas, agricultores familiares, pastores e pescadores, inclusive por meio de acesso seguro e igual à terra, outros recursos produtivos e insumos, conhecimento, serviços financeiros, mercados e oportunidades de agregação de valor e de emprego não agrícola

2.4 Até 2030, garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implementar práticas agrícolas resilientes, que aumentem a produtividade e a produção, que ajudem a manter os ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às mudanças climáticas, às condições meteorológicas extremas, secas, inundações e outros desastres, e que melhorem progressivamente a qualidade da terra e do solo

ODS 8. Trabalho Decente e crescimento econômico

Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas e todos

8.5 Até 2030, alcançar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com deficiência, e remuneração igual para trabalho de igual valor

ODS 12. Consumo e Produção responsáveis

Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis

12.2 Até 2030, alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais

12.3 Até 2030, reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial, nos níveis de varejo e do consumidor, e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo as perdas pós-colheita

Segurança Humana e sua multidimensionalidade

  • Segurança Alimentar: o incentivo à agricultura orgânica proporciona a produção de alimentos que atingem sua potencialidade nutritiva livre de conservantes químicos e agrotóxicos, ou agentes nocivos à saúde. Benefícios que se estendem à família do produtor e a todos os envolvidos na cadeia de consumo, resultando em uma alimentação mais saudável.
  • Segurança Ambiental: técnicas apropriadas de agricultura orgânica contribuem diretamente para a preservação do meio ambiente. A não utilização de agrotóxicos sintéticos, transgênicos ou fertilizantes químicos, respeita a integridade do solo, bem como das fontes hídricas, e de todo o ecossistema da região.
  • Segurança Comunitária: fortalecer conhecimento local sobre as técnicas adequadas de produção de alimentos, com repercussões sociais e ambientais, bem como promover o engajamento comunitário em torno da agricultura sustentável.

Objetivo Geral

Promover o conhecimento e os saberes locais sobre agricultura e cultivo orgânico, por meio da capacitação de jovens agricultores, proporcionando a qualificação para o trabalho e o desenvolvimento de novas técnicas de manejo responsável.

Objetivos específicos

  • Capacitação no manejo orgânico da produção à comercialização
  • Valorização do protagonismo juvenil
  • Qualificação em técnicas agroflorestais na produção orgânica
  • Impulsionar o empreendedorismo rural
  • Oferecer mão de obra qualificada ao mercado

Público

Beneficiários Diretos – O curso será direcionado para jovens, entre 15 e 29 anos, moradores no estado do Rio de Janeiro.

Beneficiários Indiretos – A execução do projeto poderá beneficiar toda a população fluminense, em razão da disseminação da prática de produção de orgânicos, com o aumento da oferta e sensibilizar outras formações centradas nos jovens.

Resultados esperados

  • Estruturação de um curso para a capacitação de jovens agricultores de produtos orgânicos.
  • Engajamento comunitário proporcionado pela troca de saberes sobre agricultura da região.
  • Empreendedorismo e geração de renda, em decorrência da venda dos orgânicos pelos jovens.

Parcerias

  • Associação Mico-Leão-Dourado -AMDL
  • Sindicato Rural de Silva Jardim
  • EMATER Silva Jardim
  • Movimento Silva Jardim Sustentável
  • Secretaria municipal de agricultura
  • Associação de Agricultores orgânicos da Baixada Litorânea-AGROBALI

Equipe

  • Coordenação-geral
  • Coordenação pedagógica
  • Corpo de professores multidisciplinar: seis professores
  • Agricultores/ produtores com suas equipes:  quatro produtores

Formato

  • Capacitação de 24 jovens por semestre, contemplando todo o estado do Rio de Janeiro.
  • Serão 20 dias de aulas/mês em horário integral, durante 6 meses.
  • Aulas práticas e teóricas na fazenda Dom Bosco
  • Formação com equipe multidisciplinar.

Necessidades e investimentos

  • Hospedagem e alimentação dos jovens em fazendas orgânicas de Silva Jardim, três vezes na semana.
  • Transporte dos jovens entre as fazendas.
  • Compra de equipamentos para as aulas: enxadas, enxadões, foices, carrinhos de mão, facões, roçadeira costal (6), (2) trator com implementos, (2) micro trator e implementos. (2) Drones, (16) computadores.
  • Ajuda de custo para os jovens frequentarem o curso

Proponentes

Anita Santoro

Produtora de alimentos orgânicos, desde 2012, no município de Silva Jardim, com a orientação de agrônomo especializado. Diretora da empresa Quitanda Natural, instalada na sede da fazenda Dom Bosco, de sua propriedade. Em fevereiro de 2015, após o curso com Ernest Gotsch adotou o sistema de manejo agroflorestal.  Em 2013, deu início à certificação pelo INT – Instituto Nacional de Tecnologia. Participa da Associação de Agricultores Orgânicos AGRO-BaLi, desde 2017, onde ocupa a função de diretora de comunicação. Desde 2018, sua produção possui certificação pela ABIO – Associação de Agricultores Biológicos, por SPG – Sistema Participativo de Garantia, pela necessidade de troca com demais produtores locais. Diretora adjunta de comunicação do SPG/ABIO. No período de 2017 a 2019 recebeu jovens do Programa Workway e alunos da Breda University para vivências na produção de orgânicos. Desenvolve desde setembro de 2020 parceria com o Grupo Benassi, na articulação com os produtores locais de orgânicos. Participou de programas pelo GNT, uma série de três apresentações com Bela Gil e três programas com a Regina Casé, “Um pé de Que?”.