
Projeto OTI
Origem talentosa inspiradora
Introdução
Ações relacionadas à prevenção de desastres são consideradas prioridades nas agendas públicas brasileiras, conforme elucidado na Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. Como objetivos dessas ações, destaca-se a orientação das comunidades a adotar comportamentos adequados de prevenção e de resposta em situação de desastre e promover a autoproteção (BRASIL 2012). A presente proposta se insere numa nova abordagem relacionada à redução de riscos comunitários, baseada nas questões subjacentes às diversas dimensões dos desastres. Atualmente, com o documento Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015 – 2030 (UNISDR, 2015), as práticas de prevenção do risco de desastres precisam ser multissetoriais e orientadas, devendo ser inclusivas e acessíveis e com uma abordagem mais ampla centrada nas pessoas.
Vivemos em um tempo que já temos clareza de que as transformações necessárias para se viver, de acordo com parâmetros dignos, requeremesforçosde toda a sociedade. Neste sentido, a presente proposta alinha-se às dimensões do conceito de Segurança Humana (PNUD/ONU-1994) e aos indicadores dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), documentos estes, direcionadores dos principais desafios sociais, econômicos, ambientais a serem enfrentados. (IPEA, 2018), a saber:
ODS 1: ERRADICAÇÃO DA POBREZA
1.5 – Até 2030, construir a resiliência dos pobres e daqueles em situação de vulnerabilidade
ODS 4: EDUCAÇÃO DE QUALIDADE. Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
4.4 Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicase profissionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo.
4.7 Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável.
Da motivação
“Em meus 39 anos de vida, desde nascedouro em 28 de setembro de 1981, sempre ouvi dizer, até mesmo de meus parentes mais velhos, que a ocupação do território onde vivemos foi originada com o êxodo nordestino. Porém, com o passar do tempo, estranhamos o fato de 60% da população mais antiga ser preta.”
Há em nossa comunidade, dentre a população preta, uma ausência de representatividade nas histórias contadas sobre a origem e desenvolvimento dos acontecimentos importantes na história local. Além disso, estamos cientes de que esse “fenômeno” que nominaremos como “apagamento histórico” é observado em grande parte do território nacional, causando uma sensação de ausência de identificação de bons exemplos de sucesso, personalidades e letrados pretos para as crianças construírem uma boa autoestima ou simplesmente traçar uma meta de vida, haja visto que, em se tratando de uma comunidade periférica, os exemplos cotidianos de personalidades influentes num local, sob jugo do tráfico de entorpecentes, jamais será o melhor ou ao menos o razoável para elas. Na TV ou mídias digitais, segue-se o mesmo enredo do “apagamento” e, também não encontramos com frequência proporcional ao percentual de habitantes desta nação deetnia preta, conteúdo que destaque a história, origem e os feitos na construção, ocupação e desenvolvimento civil.
Da resolução
O que queremos fazer para resolver?
Para recuperar essa identidade original, e fazer jus ao real entendimento e uma conscientização da população preta local, principalmente as crianças e adolescentes, queremos implantar o Projeto OTI – Origem Talentosa Inspiradora, onde contaremos às crianças e adolescentes da comunidade a história pela qual seus ancestrais serão lembrados e trazidos à luz, por meio dos Griôs (indivíduo mais velho que conta fatos de origem de um local). Os Griôs serão responsáveis por “ligar os holofotes” apagados pelo tempo, os quais também mostravam os pretos importantes no processo de formação e ocupação do território da Rocinha. Além disso, falarão sobre as personalidades pretas deste país, dentre eles: Luiz Gama, Machado de Assis, José do Patrocínio, Zumbi dos Palmares, Tereza de Benguela, João Cândido, Dandara, Carolina Maria de Jesus, Ruth de Souza, Tia Ciata.
O projeto se concretizará mediante a realização das oficinas:
- De Leitura (usando obras de autores pretos da atualidade, do passado e de comunidades);
- De Escrita (incentivando às crianças e jovens a contar a história do seu local a partir do seu ponto de vista);
- De Alimentação Sustentável (mostrando a forma africana de aproveitamento dos alimentos naturais) e
- De Percussão (criaremos a oficina de percussão para as crianças, onde ensinaremos sobre a história dos instrumentos e os ritmos: samba, jongo, carimbó e ijexá, no âmbito do já existente Bloco Carnavalesco Coração das Crianças).
Dos meios e parcerias
Buscaremos parceria com a Escola Municipal Francisco de Paula Brito (Francisco de Paula Brito, escritor preto, o primeiro tipógrafo preto do Brasil, tradutor de peças de teatro para a língua portuguesa, fundador da Sociedade Pedagógica, cujo um dos membros era Machado de Assis) e promover essa “roda de contação de histórias” e “pequenas encenações” sobre a história dessas e demais figuras exponenciais pretas para os alunos desta referida escola, inicialmente, expandindo para todas as outras escolas da favela, por meio de jovens selecionados para multiplicar as histórias usando o anfiteatro do Parque Ecológico da Rocinha.
As atividades ocorrerão na quadra esportiva da escola, a princípio, pois na quadra, em virtude das medidas de proteção por conta da pandemia existe a possibilidade de distanciamento de 1,0 metro entre cada um dos presentes, fácil demarcação do chão e afins. Também, utilizaremos o espaço físico da sede da ONG parceira, Centro Educação Cultural da Rocinha-CSECR para as “rodas de contação de histórias” com capacidade total para 40 pessoas (durante a pandemia, acomodamos por segurança, apenas 15 pessoas) e a cozinha do Centro de Referência de Assistência Social Rinaldo Delamare, onde se dará a Oficina de Alimentação Sustentável.
A “contação de história” quando for expandida para as outras escolas da Rocinha será transferida para o anfiteatro. Selecionaremos jovens que se destacarem para serem integrantes da equipe de multiplicadores, como “Juventude Multiplicadora de Destaque”, onde esses adolescentes contarão a história que aprenderão para crianças e jovens de outras escolas e projetos sociais. Neste processo, contaremos com o apoio do Movimento Negro Unificado – RJ, para que as histórias e as oficinas realizadas sejam totalmente fiéis ao conteúdo e à memória preta.
Compõe a nossa equipe, profissionais de diversas áreas do conhecimento, a saber, Geógrafo, Assistente Social, Advogado, Professor de artes marciais, Analista Técnico, majoritariamente, pretos e prontos para o início dos trabalhos.
1. Do material necessário
Em razão da pandemia precisaremos fazer aquisição de material EPI e EPC (máscaras, luvas descartáveis, álcool gel a 70%, sabonetes, detergentes, face shield, termômetro digital e dispencers).
Para a realização da Oficina de Alimentação Sustentável precisaremos comprar alimentos frescos (verduras, legumes e frutas). Para as demais oficinas serão necessários instrumentos de percussão e insumos para a renovação de material do Bloco Coração das Crianças, máquinas filmadora e fotográfica para o registro das oficinas, as quais serão objeto de um pequeno documentário, a ser produzido pelos atendidos por esta iniciativa, uniforme (camisa) e crachá de identificação para a equipe de trabalho e planos de internet para a ONG parceira Centro educação cultural da Rocinha-CSECR e os quatro membros gestores do Projeto OTI.
2. Do resultado esperado
Esperamos com o Projeto OTI, que a memória preta da comunidade da Rocinha seja trazida à luz; queremos mostrar para as crianças e jovens locais que há representatividade do povo preto e motivo para se orgulharem; acreditamos na construção de uma nova narrativa para as crianças e jovens da comunidade, que ao perceberem que no passado havia possíveis ancestrais delas nesse território, contribuindo para a formação de uma identidade local elas vislumbrem um futuro como lideranças, pessoas influentes, seja na ciência, esporte, cultura, política ou no que elas quiserem.
Crianças e adolescentes sonhando com o futuro a partir do reconhecimento da sua própria identidade, por meio de histórias reais e transformadoras. Exemplo: saber da história edos feitos de André Rebouças, engenheiro, que projetou o abastecimento de água da Cidade do Rio de Janeiro e várias obras como as Fortalezas de Santos e do Paraná, pode motivá-los a serem engenheiros também.
Equipe inicial prevista
Coordenação Executiva e Articulador Social
Atividades previstas: responsável pelo engajamento comunitário, por gerir o projeto, contando com o apoio de toda a equipe principal e fonte de todo o conteúdo histórico, ambiental e pelo Museu Sankofa.
Coordenação de Sustentabilidade – Professora de Produção de Alimentação Sustentável
Atividades previstas: responsável pelo desenvolvimento de conteúdos pedagógicos/didáticos e de ministrar oficinas de produção de alimentos reaproveitando o que geralmente se descarta e tem valor nutritivo de grande importância.
Coordenação Esportiva e Tecnológica – Professor de Introdução a Linguagem de Programação, Arduino e defesa pessoal para mulheres.
Atividades previstas: responsável pelo desenvolvimento de conteúdos pedagógicos/didáticos e de ministrar oficinas de produção de introdução a linguajem de programação e arduíno (robótica) para crianças, jovens e adolescentes; instrutor de técnicas de defesa pessoal para mulheres com base no contexto da atual demanda de políticas de empoderamento feminino.
Coordenação da Área Social – Assistente Social.
Atividades previstas: responsável pelo engajamento comunitário e diagnosticar problemas dos indivíduos e grupos (público), direcionando para as atividades específicas de modo a cada atendido pelo projeto receber o melhor conteúdo de acordo com seu perfil e “dores” existentes. Também atuará como coordenadora do empoderamento feminino de mulheres participantes da oficina de defesa pessoal. Promoverá oficinas de leitura e contação de história para crianças.
Professora de Jiu-jitsu e defesa pessoal para mulheres e agente de empoderamento feminino.
Atividades previstas: será responsável pelas palestras para as mulheres atendidas pelo Projeto e a identificação, triagem e encaminhamento para áreas de atendimentos sociais, de conscientização e de utilidade pública.
Professora de Língua Portuguesa e Literatura
Atividades previstas: será responsável pela Oficina de Leitura e Contação de Histórias, além de ser a revisora do Projeto.
Pedagoga
Atividades previstas: será responsável pela coordenação pedagógica dos conteúdos dos cursos e acompanhamento das crianças em desenvolvimento das atividades.
Agente de Limpeza 1 e 2
Atividades previstas: profissionais contratados para promover a conservação e limpeza dos locais de aula (nos espaços cedidos por parceiros do Projeto), antes e depois das aulas.
Agente de Logística
Atividades previstas: profissional responsável por envio/entrega e recebimento de encomendas e/ou materiais dos cursos.
Proponentes
Antônio Carlos Firmino
53 anos, licenciatura em Geografia, mora e trabalha na Favela da Rocinha, com 31 anos de atuação nas áreas social, educacional e cultural, na cidade do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense e Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Entre os anos 1997 a 2009, foi Coordenador Executivo da instituição mais antiga da Favela da Rocinha, a Ação Social Padre Anchieta (ASPA), oportunidade em que a representou no Fórum de Educação Infantil RJ; no período de 2008 a 2015 participou do Fórum Cultural da Rocinha, pelo Centro Cultural e Educação Lúdico da Rocinha/CIESPI-PUC-RIO, foi membro no Fórum dos Pontos de Cultura RJ/ TUXAUA do GT de políticas públicas e cultura viva, nas três esferas públicas. Em 2008, junto com 15 ativistas fundou o coletivo do Museu Sankofa- Memória e História da Rocinha. Coordena o projeto Fruto da Matriz Africana da Rocinha (edital de seleção Pública para Apoio à Produção de Eventos Chamada Pública nº 015/2011 da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro); coordenou o projeto Matriz Africana da Origem do Surgimento da Rocinha (edital micro projeto em território de paz pela Secretaria Nacional de Segurança ano de 2012 ). Membro fundador da Rede Museologia e pesquisador articulador da rede da museologia social do
Suely da Conceição Rodrigues
Moradora da Rocinha há 23 anos, bacharel em Serviço Social -PUC Rio. Pós Graduada em Literatura Infantil e Juvenil pela Cândido Mendes. Pós Graduandaem Relações Ético- Raciais pela Cândido Mendes. Assistente Técnica do Projeto Território Social ONU HABITAT. Possui formações em Avaliação de Políticas Públicas, Atualização Direitos Humanos e a Violência de Gênero, Pesquisadora CNPq/ PUC-RIO no Projeto “Feminização do poder e atualmente atuo como Coordenadora do grupo Mulheres Fortes Falam (projeto de fortalecimento e Empoderamento feminino) realizado via palestras e debates virtuais. Antes, atuei na Vila Olímpica da Gamboa; projeto Rio Em Forma Olímpico (Smel); Plano Diretor do PAC; Clube da Esquina- IPub; União de Mulheres Pró Melhoramentos da Roupa Suja na Rocinha.
Ulisses LP Silva
Conhecido como LP Silva, 39 anos, de etnia preta, com formação incompleta em Ciências da Computação (UFF); agente de segurança patrimonial; meio oficial de eletricista e músico (instrumentos de corda, ritmo samba). Como instrutor de informática e cidadania iniciou os trabalhos sociais no comitê para a Democratização da Informática-CDI, em Leopoldina-MG; atuou como subcoordenador da Escola de Informáticae Cidadania- EIC. Atuou em trabalhos sociais no Centro de Cidadania Cidade Maravilhosa- CCCM (2010); no período de 2010 a 2013 integrou o projeto QualificAR, da Acadêmicos da Rocinha como instrutor de informática; em 2014, foi analista técnico de Quality Assurance na Endless; instrutor de informática na Mobile do Brasil na Oficina do Sucesso -Rocinha(2015 a 2019), atuou na montagem e manutenção de micros; instrutor/suporte/assessor para desenvolvimento de projetos pelo Projeto CSECR (desde 2018); instrutor de defesa pessoal, rofessor de Muay Thai e assessor para desenvolvimento de projetos Projeto NASCEER (desde 2019); participa de grupos de resgate da cultura africana e de outros com ênfase em projetos sociais. Trabalha como microempreendedor, nas áreas de técnico em informática, instalador de CFTV, Webdesigner, UX Junior e professor de Muay Thai junto a Equipe OMT; colaboro sna área técnica de TI e cultural.
Localização
O projeto será realizado na Favela da Rocinha, usando espaço físicos de parceiros, como: Centro de Referência de Assistência Social Rinaldo Delamare, duas salas de reunião, no 12 o andar_ Adolescentro; CIEP, Ayrton Senna da Silva; Escola municipal Francisco de Paula Brito, Biblioteca Parque C4 da Rocinha e Parque Ecológico da Rocinha.


